sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

     O que  terá acontecido a uma sociedade que se revê no “Big Brother”? Que vive mais intensamente as venturas e desventuras daqueles ratos de laboratório do que o que se passa no mundo à sua volta? Que encolhe os ombros aos escândalos da corrupção, às vitórias dos indignos, que nada faz quando se arquivam casos e processos que a todos dizem respeito, quando são feitos delírios de bandidagem com dinheiros públicos.

   O que dizer de uma sociedade assim, inerte, amorfa, que se deixa pisar e humilhar apenas para não se chatear. Em que os heróis que representam os nossos valores passaram a ser uns grunhos que agridem mulheres em público e cujo vocabulário mal chega para articular duas frases seguidas. Na realidade hoje em dia para ter sucesso basta aparecer algum tempo  seguido na televisão, nem que seja numa jaula a dizer obscenidades. Para quê estudar, trabalhar, criar. Tudo desnecessário. É a cultura da imbecilidade no seu melhor. É claro que nestas circunstâncias já poucos param para pensar nas coisas que realmente importam. O que me lembra a teoria da conspiração.

   Tenho para mim que andam para aí uns poderes obscuros, acima e abaixo dos países e dos governos, que são quem realmente dita as decisões. Poderes económicos, que vivem de tráficos, de esquemas, de guerras e conflitos. Vendem e compram terras, armas, drogas, modas, necessidades, reais ou inventadas, até pessoas. Em grande escala podem ser a Microsoft, ou a diamantífera holandesa De Booers e em pequena, o dono de uma empresa de construção ou o presidente de uma junta de freguesia, mas na prática os seus objectivos são os mesmos: ganhar, mais do que os outros e não importa a que preço. É claro que para isso convém não haver oposição, e se em pequena escala a coisa se resolve com umas luvas, ou uns murros, em grande isso já é mais complicado. Por vezes há que enganar países inteiros.    

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Muito tempo que não te via Blog meu. Sabes que estas coisas que implicam tempo e dedicação nem sempre são compativeis com o ritmo de vida moderno, principalmente de quem tem filhos pequenos e não tem horários de trabalho...a vida corre-me bem obrigado, a cabeça cheia de projectos que tardam em concretizar-se. Comecemos pelo principio: quero fazer video. Aliás, para quem não saiba, eu já fiz video. Eu e o meu amigo Mário fomos para a Amazónia, meados do século passado, fazer um doc sobre a tribo de indios Deni - cinco transmissões televisivas e um primeiro prémio num festival de doc no Brasil depois, a minha curta carreira videográfica chegou ao fim. Nem sei porquê, morreu simplesmente. E entretanto o mundo mudou, as tecnologias evoluiram e muito, o Mário emigrou e eu esqueci. Ora um destes dias estava eu em casa, a vasculhar os discos rigidos e vi-os: duzias de pequenos clips, na Palestina, no Afeganistão, no Libano, rodados sem ordem nem objectivo, no intervalo das fotografias. Feitos com a pequena e fiel G7, qualidade reduzida e sentido nenhum, mas ali estavam eles: testemunhas ignoradas de momentos e sons, que jaziam esquecidos nas traseiras das hard drive, à espera de dias melhores. Então tive uma epifania (estava a ver que nunca iria ter a oportunidade de usar isto num texto. Vou repetir - epifania..). Era agora ou nunca, esta era a oportunidade para eu reaprender um meio que também é o meu afinal; fotografia, video, cinema, imagem, tudo parte de uma grande familia nem sempre feliz. E assim foi, tutoriais de premiere sacadinhos da net, programa instalado e pronto, clips avulso com fartura - a preocupação aqui não foi a excelência do resultado final, mesmo porque o conhecimento ainda é pouco e o material para trabalhar anárquico e de fraca qualidade no geral. Apenas me interessava o aprender, usando no processo coisas que de outra forma morreriam no limbo. Também me lembrei entretanto, que instalei um link para videos no meu site que continua virgem. Pois aqui vai. Agradeço os vossos comentários, apreciações, conselhos, levando em linha de conta o que disse acima. Obrigado. Bem hajam. Uma vida feliz.