quinta-feira, 8 de setembro de 2016


Gosto de dar aulas. Gosto mesmo de dar aulas, de passar o testemunho, de partilhar o conhecimento acumulado ao longo de anos (décadas) de trabalho efectivo, no terreno. A experiência é um bom capital. Sim, às vezes tenho saudades, mas temos sempre a possibilidade de fazermos os nossos projectos pessoais e com isso ir "matando o bicho". E depois vejo o estado do jornalismo, actualmente, e percebo que não me apetece mais continuar a lutar por uma coisa que já não existe - o importante agora é formar (bem) as gerações futuras, para que se possam adaptar a este novo mundo, para que o jornalismo e o fotojornalismo em particular possam voltar a ter o papel de grande importância que sempre tiveram - o de ser os olhos do mundo. Sem filtros. E no processo correr com as antas, os esbirros do capital, que acham que mandam, que fazem de nós meros produtores de conteúdos, sem respeito, sem pudor e sem vergonha.

Sempre que vejo as colunas de comentários dos leitores, nos jornais, percebo que estamos condenados à extinção..quer dizer, nem o Universo aguenta tanta imbecilidade, falta de educação e má ortografia, juntas. Já abriram as inscrições para ir para Marte?

Esquerda, Direita, Centro, com ou sem coligações, com ou sem discursos mais ou menos libertários, mais ou menos conservadores, a prova de que mudam as moscas, permanece a merda está à vista de todos - quem se lixa é sempre o mesmo. Agora que são de esquerda, os impostos dizem-se de Justiça Social (heheheheheh). Sim, porque se há malta impune são esses malandros dos vendedores de bolas de berlim. E o meu vizinho do 5º A que tem a janela da sala virada a Sul, o bandalho.. Esta g...ente faz o que quer, diverte-se à grande, enche-se e aos amigalhaços, anda de pópós topo de gama, vai ver eventos desportivos (haaa não e tal, mas isso é representação do Estado!), balda-se a todas as obrigações e todas as sanções e nós a vê-los passar. E a pagar claro. Agora a sério, não têm dias em que se sentem os maiores otários do planeta. Eu tenho. Tipo hoje. Era uma bola de berlim com creme sff, e não se esqueça da factura...

Sou só eu, ou esta cena do: "está a falar para um cliente que agora pertence à operadora x ou y.." é estranha? Quer dizer, que pertence? Pertence? Se faltavam provas de que as grandes corporações acham que somos propriedade deles, estes lapsos de lingua falam por si..

Ainda não percebi bem que merdice nova é essa dos pokémones ou lá o que é, mas sei isto: estamos cada vez mais alheados do mundo real, embrenhados em tontices, direitos dos caracóis, futebóis e reality freak shows e há quem, entre chernes e outras criaturas rastejantes, se aproveite muito bem desse imbecilimento colectivo ..

Não aprecio sempre o seu humor (falo do Rui Sinel de Cordes) , mas tiro o chapéu à posição que tomou, em resposta à forma brutal como a cretinice e a parolice reagiram a uma piada sua, mesmo que de mau gosto. Publico aqui um excerto dessa resposta (no seu site na integra) na qual me revejo absolutamente - "em plataformas como o Facebook (e não só) não é mais possível criar uma relação de interacção lógica, uma troca de ideias válida, um vislumbre de educação e abertura de e...spírito ou discussão. As redes sociais hoje em dia são depositórios de raivas, frustrações, falhanços pessoais e ódios mesquinhos..."
- é por essas e por outras que eu hoje em dia só publico fotos e coisas superficiais e não tarda nada cenas de gatinhos fofinhos e convites para jogos manhosos - deve haver ai um esquema qualquer sinistro para sugar a inteligência às pessoas e torna-las em zombies intolerantes, fascizóides e moralistas e não, não falo do BE.

O jardim Zoológico está a promover workshops de fotografia de...vida selvagem!.....sou só eu ou isto soa de modo estranho..
São quase 7h00 da manhã. Vejo um café, presumivelmente aberto. Aproximo-me, na expectativa da bica matinal e vejo 4 senhoras a conversar, sentadas na esplanada, duas delas empregadas a aparentar pela farda com o logo..percebo as luzes ligadas, as portas abertas, tudo pronto para servir clientes. Como bebem café, deduzo que a máquina já está ligada. Pergunto sorridente se posso beber um. Olham para mim como se tivesse anunciado o apocalipse e uma, com ar de ser a chefe, diz-me devagar, não vá eu não entender a mensagem: "ainda não abrimos. Só daqui a 4 (quatro!) minutos.". Agradeço educadamente a informação tão pormenorizada e retiro-me, sem café, mas mais esclarecido em relação ao mundo em geral e à tão apregoada crise em particular - esta chama-se crise de vontade de trabalhar e explica muita coisa. Bom dia.