first they came for the journalists and I did not speak out, because I was not a journalist. we don’t know what happened after that.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Para que conste eu gosto de animais. mesmo muito - fui criado com eles, no campo, toda a vida tive cães (cheguei a viver com 11!), e até um gato e uma coruja. Por isso sou insuspeito. Mas confesso que me pasma um pouco toda esta transferência afectiva para os nossos companheiros peludos e penosos. Há assim tanta carência por ai? Quer dizer, não ponho em causa os direitos da bicheza, até pugno por eles, mas não vou deixar de comer bifes por causa disso de certeza. Abomino os c...açadores de baleias e o assassino do Cecil, mas não desdenho uma boa pescaria. Acho que os animais são (mesmo) nossos amigos, mas dai a dormirem na minha cama, ou a achar que são pessoas, vai uma longa distancia..Isto tudo para dizer que respeito e compreensão entre as espécies é fundamental, mas a natureza pôs cada coisa no seu lugar e com a sua função e a natureza é sábia - eu, o que me chateia mesmo, são os fundamentalismos e a arrongância moral de certa gente, que os bichos, esses sabem ser bichos.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Não, nem tudo está perdido. Enquanto houver gente de bem, nem tudo está perdido - há muito tempo atrás, engolido por uma multidão algures em Kabul (Afeganistão), fui ao chão e perdi a máquina. Levantei-me quase em pânico, até ver a máquina no ar, na mão de uma velha senhora que me sorria. Ali, no fim do mundo, ainda havia gente de bem. O tempo passou e eu também. Aos poucos a deixar de acreditar outra vez. Mas são os pequenos (grandes) gestos que nos redimem sempre, não é? Hoje deixei o telefone no metro. Quando me apercebi, já cá fora, corri à cabine onde está aquela malta que lá trabalha, em busca de auxilio - "não podemos fazer nada agora, tente apanhar o metro no regresso"!!.. quando perguntei se não podiam contactar o maquinista, não, não podiam.."e se fosse uma bomba", perguntei - não mesmo assim não podiam...estupefacto corri, a ver se apanhava o metro no regresso. E de facto apanhei. Percorri tudo, procurei tudo - nada de telefone. No meio daquilo um rapaz dos seus vinte e poucos, pergunta-me se quero que ligue para o meu numero - "quero sim, obrigado". Mas nada. Já conformado, saio na estação seguinte, subo os degraus, com o humor da meteorologia de hoje, e eis que uma senhora que também vinha no metro me interpela - "sabe, acho que aquele rapaz descobriu o seu telefone.." peço-lhe o dela, ligo para o meu e eis que ele atende. Que sim, que o tinha encontrado, que vinha ter comigo para me o dar. E assim foi. Sem me conhecer de lado nenhum, sem obrigação, deu-se ao trabalho. Porque sim. Porque é um homem de bem. Obrigado Zé Aires. Quanto aos senhores do metro, só espero que de facto nunca ninguem lhes peça para ligar ao maquinista por causa de uma bomba...
Não quero parecer sexista, nem machista, nem reaccionário. Mas creio que será inevitável com o que vou dizer: as mulheres são (e sim, generalizo) muito mal educadas, melhor, extremamente mal-educadas, a conduzir. A ponto de por vezes me levarem a compreender melhor a situação nalguns países, como a Arábia Saudita...pronto era isto.
De modos que deixem-me ver se percebi. A+B ganharam as eleições. Mas C, percebeu que aliando-se a D e a E, mesmo depois dos resultados, poderia ainda ter direito a subir à cadeira do poder. Ora se bem me lembro C não gostava de D e ainda menos de E, de quem em tempos disse mesmo muito mal. Mas como nestas coisas do poder, desde vender a alma ao diabo a fazer pactos com quem se não gosta, vale tudo, vá de varrer o passado para debaixo do tapete do esquecimento conveniente e es...tender uma mão amiga. D e E, desejosos também eles, de experimentar as doçuras devidas a quem governa, não se fizeram rogados a agarrar a mãozita estendida. Assim, pelo que percebi, não interessa se A e B ganharam as eleições, interessa é quem depois for mais hábil a tecer alianças, mesmo que improváveis, porque quando o poleiro acena, todas as galinhas correm ávidas. Só para que conste, eu nem gosto particularmente de A,B,C,D ou E, mas tudo isto me mete nojo. Tenho dito.
domingo, 11 de outubro de 2015
Ontem passei pelo CCB e fui ver a exposição do Premio Novo Banco Photo. Nada que me apele muito aos sentidos, mas sobretudo porque um dos participantes era o Edson Chagas, meu amigo e ex-aluno. E depois percebi porque nunca tinha ido ver nenhuma (a não ser na net, ou nos jornais). Sem desprimor ao trabalho do Edson, mas a verdade é que devo ser um cepo no que toca ao entendimento da Arte (daquela), principalmente em relação ao trabalho da vencedora - os artistas que me perdoem, mas que raio...eu partilho que a fotografia é, ela também, uma forma de arte superior, que eu pratico, apesar de a partir de uma vertente documentalista, mas estas elocubrações filosófico-metafisicas tiram-me do sério. Mas vendem e vão para museus onde são apreciadas por malta bem vestida (ou não) e melhor pensante (ou não)..e eu só me apetece dizer palavrões..
O José Rodrigues dos Santos disse um disparate em praça publica. Disse de um deputado gay assumido, que tinha sido "eleito, ou eleita..". Não ponho em causa que foi um disparate, aliás já o referi. Mais ainda pela responsabilidade pública do jornalista. Mas fónix gente, é preciso tanto? Não simpatizo particularmente com o personagem, aliás não me aquece nem arrefece, reconheço-lhe defeitos e méritos, mas já li e ouvi coisas dignas de um processo de inquisição - só falta mesmo... queimar o homem em praça pública..Tempos estes, do politicamente correcto, do moralmente superior, onde um gajo já não pode dizer um disparate sem que lhe caiam em cima todas as virgens ofendidas do burgo, credo, cruz..ele é as defesas das minorias, caracóis incluidos, os anti-touradas, os anti-carne, os anti-caça e pesca, os anti-fungicos, os amigos disto e daquilo, não se pode beber, comer, fumar, dizer palavrões ou dar arrotos em público e nem se fala de assumir que se votou no Passos e companhia..opah, vão-se mas é todos catar. Engraçado pensar que a sociedade que tanto critica os alemães, está a tornar-se ela própria alemã. Ou suiça. Ou parva.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Ontem perguntavam-me onde está o gajo que estava em cima do blindado que puxou a estátua do Saddam, na última Guerra do Golfo. Quer dizer o mundo a cair, aqui à minha volta, gentes que sofrem e fogem, guerras santas, profecias do apocalipse e eu aqui, no bem bom...isto pôs-me a pensar claro, quer dizer, de facto onde anda esse gajo? Depois percebi - está mesmo aqui, a escrever esta crónica. Se tenho vontade de ir, de vestir a armadura e ir outra vez tentar mudar o mundo? Claro que sim, missão é missão, mas com o tempo percebemos que as coisas não são tão lineares; não se muda o mundo só porque queremos e há responsabilidades práticas, imediatas e próximas igualmente importantes - criar um filho por exemplo. Eu sei do que falo, sou filho de um homem com uma missão e passei 40 anos a vê-lo ao longe. decidi que não quero o mesmo para o meu. Depois há o mundo propriamente dito.
O mundo é um sitio extraordinário, numa esquina da Via Láctea com uma vista fantástica para o Universo. Infelizmente é muito mal frequentado. Tão mal, que dou por mim a pensar inúmeras vezes o quão melhor estaria sem humanos. Talvez não todos, mas definitivamente a maior parte. Sejamos honestos, a maior parte de nós está a um passo da barbárie. Somos de um modo geral egocêntricos, mimados, egoístas, mal-educados, violentos e fúteis. Grande parte da humanidade trocaria a mãe pelo euromilhões sem hesitar e apenas anos de sociedade imposta muitas vezes à força (honra seja feita às religiões nesse aspecto), nos impedem de nos estraçalharmos todos à mínima provocação. Sei que estou a generalizar, mas ressalvo o talvez não todos, escrito mais acima. O novo Deus é o dinheiro, que hoje vale muito mais que a vida, e os antigos apenas servem como desculpa (mais uma) para nos matarmos uns aos outros como cães danados.
Sejamos francos, uma espécie que deixa os seus filhos mais inocentes, morrerem impunemente em praias distantes, vale mesmo a pena ser salva? Uma espécie que se mata, tortura, viola, destrói, por dinheiro ou justificações inaceitáveis para uma mente racional, merece a redenção? Uma espécie que aceita como seus criminosos do calibre de George Bush (ambos) ou Abu Bakr Al Baghdadi (Lider do ISIS para quem não saiba), tem direito a salvação? Uma espécie que aniquila todas as outras para fazer casacos e remédios para a potência sexual, que destrói o ambiente e as coisas e tudo em nome de riquezas materiais, é digna de por cá andar? Ou mais prosaicamente, vale a pena arriscarmos a pele e o sossego por gente desta, que aparentemente não tem remédio? Pois que a resposta é...sim. de facto somos uma espécie danada, mas de novo - talvez nem todos. Talvez um dia acordemos e percebamos que somos capazes de muito mais, e melhor, que prestar reverência a cifrões ou aos seus acólitos. Talvez um dia consigamos entender, que este mundo também é nosso, a nossa casa, e que temos que fazer por ele, lutar por ele, mantê-lo, preserva-lo, ama-lo. E isso implica de certeza correr, para trás das grades ou para o além, com todos os demónios disfarçados que se passeiam entre nós e nos impedem de sermos verdadeiramente uma civilização. Pelos nossos filhos, pelos que cá ficarão depois de nós, teremos que o fazer. Eu pelo meu lutarei. Mas, e volto ao inicio desta crónica, tudo tem um tempo e um modo; agora assim, a espernear ao computador, mas talvez um dia volte a tirar a armadura do baú.
Não há lutas inúteis em causas justas - só aquelas que não se travam.
O mundo é um sitio extraordinário, numa esquina da Via Láctea com uma vista fantástica para o Universo. Infelizmente é muito mal frequentado. Tão mal, que dou por mim a pensar inúmeras vezes o quão melhor estaria sem humanos. Talvez não todos, mas definitivamente a maior parte. Sejamos honestos, a maior parte de nós está a um passo da barbárie. Somos de um modo geral egocêntricos, mimados, egoístas, mal-educados, violentos e fúteis. Grande parte da humanidade trocaria a mãe pelo euromilhões sem hesitar e apenas anos de sociedade imposta muitas vezes à força (honra seja feita às religiões nesse aspecto), nos impedem de nos estraçalharmos todos à mínima provocação. Sei que estou a generalizar, mas ressalvo o talvez não todos, escrito mais acima. O novo Deus é o dinheiro, que hoje vale muito mais que a vida, e os antigos apenas servem como desculpa (mais uma) para nos matarmos uns aos outros como cães danados.
Sejamos francos, uma espécie que deixa os seus filhos mais inocentes, morrerem impunemente em praias distantes, vale mesmo a pena ser salva? Uma espécie que se mata, tortura, viola, destrói, por dinheiro ou justificações inaceitáveis para uma mente racional, merece a redenção? Uma espécie que aceita como seus criminosos do calibre de George Bush (ambos) ou Abu Bakr Al Baghdadi (Lider do ISIS para quem não saiba), tem direito a salvação? Uma espécie que aniquila todas as outras para fazer casacos e remédios para a potência sexual, que destrói o ambiente e as coisas e tudo em nome de riquezas materiais, é digna de por cá andar? Ou mais prosaicamente, vale a pena arriscarmos a pele e o sossego por gente desta, que aparentemente não tem remédio? Pois que a resposta é...sim. de facto somos uma espécie danada, mas de novo - talvez nem todos. Talvez um dia acordemos e percebamos que somos capazes de muito mais, e melhor, que prestar reverência a cifrões ou aos seus acólitos. Talvez um dia consigamos entender, que este mundo também é nosso, a nossa casa, e que temos que fazer por ele, lutar por ele, mantê-lo, preserva-lo, ama-lo. E isso implica de certeza correr, para trás das grades ou para o além, com todos os demónios disfarçados que se passeiam entre nós e nos impedem de sermos verdadeiramente uma civilização. Pelos nossos filhos, pelos que cá ficarão depois de nós, teremos que o fazer. Eu pelo meu lutarei. Mas, e volto ao inicio desta crónica, tudo tem um tempo e um modo; agora assim, a espernear ao computador, mas talvez um dia volte a tirar a armadura do baú.
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