Andei aqui a conter-me, mas é mais forte que eu e tem a ver com a questão da bandeira francesa. Questão complexa, que atormenta espíritos, promove debates apaixonados e divide sociedades. A dita questão é no fundo simples - porquê tanta emoção e envolvimento com a desgraça dos franceses (que nos leva até a pintarmo-nos com as cores da sua bandeira e a cantarmos em coro a Marselhesa, e não com os libaneses ou os nigerianos, também eles atormentados por bombas e terroristas fanáticos e até numa escala muito mais drástica?
Bem, a meu ver (reparem, eu disse a meu ver..) a resposta a tão delicada pergunta é a seguinte: primeiro o factor proximidade (fenómeno bem conhecido de todos os jornalistas) - o que se passa aqui mesmo à nossa porta, aos "nossos" por assim dizer, tem muito mais impacto que o mesmo acontecimento, mas a muitos quilómetros de distancia. E depois o factor surpresa - não levem isto a mal, eu que tanto tempo lá passei e que lá deixei amigos do peito e saudades profundas, até sou insuspeito, mas a verdade é que rebentarem coisas no Líbano, na Nigéria, na Serra Leoa, na Síria ou no Iraque é "normal". Acontece com regularidade, faz parte (infelizmente) da vida quotidiana e assim o impacto é de certa forma diluído. Mas aqui é inesperado. Aqui não esperamos sair de casa e ser atingidos por maníacos homicidas. Para mais numa escala destas. A surpresa (má) é muito maior e logo o impacto também.
Não estou a menosprezar, ou a minorizar a dor dos libaneses ou dos nigerianos, ela é tão importante como a nossa. Mas estou a dizer que compreendo quem de repente acorda para a vida, com o rebentamento das bombas aqui ao lado, percebe o mundo em que vive e decide à sua maneira mostrar solidariedade. E depois o que importa se a bandeira é francesa, libanesa ou do Burkina Faso? O que de facto conta é que estamos todos do mesmo lado e temos uma luta mais importante para travar do que perdermos tempo com questiúnculas de merda, que só demonstram a futilidade e a profunda imbecilidade de quem as promove. Agora vamos lá mas é chutar as bundas daquela corja de malfeitores barbudos, para fora deste mundo. Enrolados nas bandeiras que quisermos.
first they came for the journalists and I did not speak out, because I was not a journalist. we don’t know what happened after that.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Questões para reflexão - estando o Daesh num momento dificil, com derrotas militares, morte de alguns lideres importantes, cortes financeiros e subsquentes reflexos negativos nos niveis de armamento, munições e na motivação dos combatentes, tendo bases militares mais ou menos sólidas no Iraque e na Siria, porque não consolidar posições ai, onde estão em "casa" e virem bulir nos vespeiros aqui na Europa. Quer dizer eles sabem que isto implica retaliações por parte do Ocidente e estando numa situação debilitada isso não me parece uma boa estratégia . A não ser que busquem a auto destruição (mas o martirio e as virgens são para os patetas que se explodem, não para as cúpulas iluminadas)...ou então há aqui gato escondido, ai há há...
Pinto a minha cara de preto, por vergonha. Vergonha de estar inserido numa sociedade que permite o massacre de inocentes a troco de conforto. A politica é covarde e o dinheiro todo poderoso. E enquanto nós aqui, nos degladiamos por merdices sem sentido e vaidades vãs, a vida real acontece. Um dia vai engolir-nos e nós, pasmados e incrédulos, ai entenderemos. Já nos bate à porta.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Para que conste eu gosto de animais. mesmo muito - fui criado com eles, no campo, toda a vida tive cães (cheguei a viver com 11!), e até um gato e uma coruja. Por isso sou insuspeito. Mas confesso que me pasma um pouco toda esta transferência afectiva para os nossos companheiros peludos e penosos. Há assim tanta carência por ai? Quer dizer, não ponho em causa os direitos da bicheza, até pugno por eles, mas não vou deixar de comer bifes por causa disso de certeza. Abomino os c...açadores de baleias e o assassino do Cecil, mas não desdenho uma boa pescaria. Acho que os animais são (mesmo) nossos amigos, mas dai a dormirem na minha cama, ou a achar que são pessoas, vai uma longa distancia..Isto tudo para dizer que respeito e compreensão entre as espécies é fundamental, mas a natureza pôs cada coisa no seu lugar e com a sua função e a natureza é sábia - eu, o que me chateia mesmo, são os fundamentalismos e a arrongância moral de certa gente, que os bichos, esses sabem ser bichos.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Não, nem tudo está perdido. Enquanto houver gente de bem, nem tudo está perdido - há muito tempo atrás, engolido por uma multidão algures em Kabul (Afeganistão), fui ao chão e perdi a máquina. Levantei-me quase em pânico, até ver a máquina no ar, na mão de uma velha senhora que me sorria. Ali, no fim do mundo, ainda havia gente de bem. O tempo passou e eu também. Aos poucos a deixar de acreditar outra vez. Mas são os pequenos (grandes) gestos que nos redimem sempre, não é? Hoje deixei o telefone no metro. Quando me apercebi, já cá fora, corri à cabine onde está aquela malta que lá trabalha, em busca de auxilio - "não podemos fazer nada agora, tente apanhar o metro no regresso"!!.. quando perguntei se não podiam contactar o maquinista, não, não podiam.."e se fosse uma bomba", perguntei - não mesmo assim não podiam...estupefacto corri, a ver se apanhava o metro no regresso. E de facto apanhei. Percorri tudo, procurei tudo - nada de telefone. No meio daquilo um rapaz dos seus vinte e poucos, pergunta-me se quero que ligue para o meu numero - "quero sim, obrigado". Mas nada. Já conformado, saio na estação seguinte, subo os degraus, com o humor da meteorologia de hoje, e eis que uma senhora que também vinha no metro me interpela - "sabe, acho que aquele rapaz descobriu o seu telefone.." peço-lhe o dela, ligo para o meu e eis que ele atende. Que sim, que o tinha encontrado, que vinha ter comigo para me o dar. E assim foi. Sem me conhecer de lado nenhum, sem obrigação, deu-se ao trabalho. Porque sim. Porque é um homem de bem. Obrigado Zé Aires. Quanto aos senhores do metro, só espero que de facto nunca ninguem lhes peça para ligar ao maquinista por causa de uma bomba...
Não quero parecer sexista, nem machista, nem reaccionário. Mas creio que será inevitável com o que vou dizer: as mulheres são (e sim, generalizo) muito mal educadas, melhor, extremamente mal-educadas, a conduzir. A ponto de por vezes me levarem a compreender melhor a situação nalguns países, como a Arábia Saudita...pronto era isto.
De modos que deixem-me ver se percebi. A+B ganharam as eleições. Mas C, percebeu que aliando-se a D e a E, mesmo depois dos resultados, poderia ainda ter direito a subir à cadeira do poder. Ora se bem me lembro C não gostava de D e ainda menos de E, de quem em tempos disse mesmo muito mal. Mas como nestas coisas do poder, desde vender a alma ao diabo a fazer pactos com quem se não gosta, vale tudo, vá de varrer o passado para debaixo do tapete do esquecimento conveniente e es...tender uma mão amiga. D e E, desejosos também eles, de experimentar as doçuras devidas a quem governa, não se fizeram rogados a agarrar a mãozita estendida. Assim, pelo que percebi, não interessa se A e B ganharam as eleições, interessa é quem depois for mais hábil a tecer alianças, mesmo que improváveis, porque quando o poleiro acena, todas as galinhas correm ávidas. Só para que conste, eu nem gosto particularmente de A,B,C,D ou E, mas tudo isto me mete nojo. Tenho dito.
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