terça-feira, 17 de maio de 2011

Vi um filme. E às vezes os filmes que vejo deixam-me a pensar. Normalmente na técnica envolvida, a fotografia, a luz, a composição... Ocasionalmente também a história, mais raramente uma mensagem, uma ideia que fica adormecida lá num canto do meu cérebro, até que um dia, por efeito de um qualquer estimulo, BANG - vem à tona com a velocidade de um comboio-bala japonês.
Desta feita no filme em questão (bom, mas não relevante para esta prosa), há um momento. Nesse momento, uma rapariga nova, bonita e tatuada, aparentemente padeira / pasteleira, afadigava-se à volta da massa no seu restaurante / pizzaria. Ao mesmo tempo conversa com o protagonista, que está em missão de auditoria às contas da jovem. Ao que parece e esta é a questão central, ela só pagou 78 % (reparem, nem 50 nem 80, exactamente 78) dos seus impostos. Porquê? Porque explica ela, a restante percentagem é empregue em propósitos que não concordava. No caso era a Defesa Nacional, armas portanto. Para o resto, saúde, educação, etc, já não se importava de contribuir..tudo solidamente sustentado em contas irrefutáveis. Vi, pensei que de facto fazia sentido,guardei e não pensei mais no assunto. Até que um destes dias, a juntar continhas para levar ao senhor que me trata do IRS,  BANG, ai vem o comboio-bala - porque diabos hei-de eu pagar impostos para coisas com as quais não concordo, não pedi, e que são de um modo geral ofensivas para quem tem que as pagar? Carros de luxo e respectivos motoristas, viagens em primeira e jantaradas opiparas, reformas douradas, corrupções várias, cartões de crédito sem limite, Fundações e Institutos de que nunca sequer ouvi falar, jobs e mais jobs para boys e mais boys, vergonhas sem limite e muitas vezes sem cara, e mais e mais e mais....tudo somado qual a percentagem disto nos meus impostos? Eu diria à vontade uns 70 a 80%..E se assim de repente eu não pagasse essa fatia, sustentado-me no que disse acima? Provavelmente, seria preso, arrestado, chicoteado em público, sei lá...mas e se assim de repente TODOS os portugueses com vergonha na cara e dinheiro contado ao fim do mês, fizessem o mesmo? BANG.

2 comentários:

  1. Nem imaginas as vezes que já pensei nisso... Mas em países de terceiro mundo como o nosso, nem sequer tens direito a escolher, então se trabalhas honestamente e para terceiros, esquece... Mas o povo ignorante lá irá dia 5 de Junho eleger mais um dos dois abutres disponíveis...

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  2. Todos em filinha para para o matadouro, ai vamos nós...sabes, a pena é que se quisessemos puderiamos fazer muita coisa, mudar tudo, juntos teriamos a força para isso. Só nos falta a coluna vertebral.

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