segunda-feira, 26 de outubro de 2015


Não, nem tudo está perdido. Enquanto houver gente de bem, nem tudo está perdido - há muito tempo atrás, engolido por uma multidão algures em Kabul (Afeganistão), fui ao chão e perdi a máquina. Levantei-me quase em pânico, até ver a máquina no ar, na mão de uma velha senhora que me sorria. Ali, no fim do mundo, ainda havia gente de bem. O tempo passou e eu também. Aos poucos a deixar de acreditar outra vez. Mas são os pequenos (grandes) gestos que nos redimem sempre, não é? Hoje deixei o telefone no metro. Quando me apercebi, já cá fora, corri à cabine onde está aquela malta que lá trabalha, em busca de auxilio - "não podemos fazer nada agora, tente apanhar o metro no regresso"!!.. quando perguntei se não podiam contactar o maquinista, não, não podiam.."e se fosse uma bomba", perguntei - não mesmo assim não podiam...estupefacto corri, a ver se apanhava o metro no regresso. E de facto apanhei. Percorri tudo, procurei tudo - nada de telefone. No meio daquilo um rapaz dos seus vinte e poucos, pergunta-me se quero que ligue para o meu numero - "quero sim, obrigado". Mas nada. Já conformado, saio na estação seguinte, subo os degraus, com o humor da meteorologia de hoje, e eis que uma senhora que também vinha no metro me interpela - "sabe, acho que aquele rapaz descobriu o seu telefone.." peço-lhe o dela, ligo para o meu e eis que ele atende. Que sim, que o tinha encontrado, que vinha ter comigo para me o dar. E assim foi. Sem me conhecer de lado nenhum, sem obrigação, deu-se ao trabalho. Porque sim. Porque é um homem de bem. Obrigado Zé Aires. Quanto aos senhores do metro, só espero que de facto nunca ninguem lhes peça para ligar ao maquinista por causa de uma bomba...

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