sexta-feira, 13 de maio de 2016


O homem devia andar nos seus 70. Estava na marina, não interessa qual, a arranjar o barco, um veleiro velho como ele, para se fazer ao mar no verão. Já vinham de longe, ele e a mulher. Queriam ir ainda mais longe: "Atravesso o oceano, o canal do panamá, entro noutro oceano, sempre assim, até onde puder. Já não devo ter muito tempo, isto é o que farei até ao fim"...naquele momento percebi - até ao derradeiro pôr do sol, se for a fazer o que amamos, com quem amamos, então tudo ...terá valido a pena. O resto são notas de rodapé, ninharias de formigas, que se digladiam por nadas e cujo único objectivo é acumular, dinheiro, poder e sofrimento alheio. No fim nada disso lhes valerá aquele último vislumbre do mar sem fim, nos olhos do velho que percebeu que a liberdade é o maior de todos os bens e a natureza a mais bonita de todas as joias. As formigas que se f$#%&. Eu de barco já ando.

Sem comentários:

Enviar um comentário